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«Isle of Innocence»





Elena Bajo, exhibition view, «Isle of Innocence», 2015
Courtesy: Elena Bajo, D+T Project Gallery (Brussels), García Galería (Madrid), and annex14 (Zurich)

Elena Bajo, exhibition view, «Isle of Innocence», 2015
Courtesy: Elena Bajo, D+T Project Gallery (Brussels), García Galería (Madrid), and annex14 (Zurich)

Elena Bajo, exhibition view, «Isle of Innocence», 2015
Courtesy: Elena Bajo, D+T Project Gallery (Brussels), García Galería (Madrid), and annex14 (Zurich)

Elena Bajo, Isle of Innocence 1, 2015. White epoxy paint on gray epoxy paint. Variable dimensions.
Courtesy: Elena Bajo, D+T Project Gallery (Brussels), García Galería (Madrid), and annex14 (Zurich)

Elena Bajo, Isle of Innocence 2, 2015. Ceramic, sylicone, clay and rubber. 70x 71 x 48(h) cm.
Courtesy: Elena Bajo, D+T Project Gallery (Brussels), García Galería (Madrid), and annex14 (Zurich)

Elena Bajo, Isle of Innocence 3, 2015. Natural latex and glass. 125 x 93 x 14(h) cm.
Courtesy: Elena Bajo, D+T Project Gallery (Brussels), García Galería (Madrid), and annex14 (Zurich)

Elena Bajo, Isle of Innocence 4, 2015. Wood, glass, cotton, natural latex, plastic and stain. 100 x 190 x 20(h) cm.
Courtesy: Elena Bajo, D+T Project Gallery (Brussels), García Galería (Madrid), and annex14 (Zurich)

Elena Bajo, Isle of Innocence 5, 2015. Wood, glass and blue LED strip. 500 x 11 x 61(h) cm.
Courtesy: Elena Bajo, D+T Project Gallery (Brussels), García Galería (Madrid), and annex14 (Zurich)

Elena Bajo, Isle of Innocence 6, 2015. Acrylic on polyurethane, ceramic, aluminium and nylon. 232 x 31 x 30(h) cm.
Courtesy: Elena Bajo, D+T Project Gallery (Brussels), García Galería (Madrid), and annex14 (Zurich)

Elena Bajo, LOVE AND DO NOT MULTIPLY, 2015. LED scrolling text display. 68 x 20 x 4 cm.
Courtesy: Elena Bajo, D+T Project Gallery (Brussels), García Galería (Madrid), and annex14 (Zurich)

Fotos / Photos: Samuel Esteves

 

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LX92

 

Elena Bajo
«Isle of Innocence»



 

Abertura:
Sexta 25 Setembro 2015, 19h

Exposição até 24 Outubro 2015

 

Comemorando três anos de atividades, KUNSTHALLE São Paulo convida a artista espanhola Elena Bajo (*1976, Madri) para realizar sua primeira exposição individual no Brasil. Adotando uma abordagem conceitual, a artista centra-se em temas sociais e processos e condições artísticas. Sua prática é orientada através de pesquisa e se desdobra no uso de uma ampla variedade de mídias, como escultura, instalação, pintura, performance, filme, texto e também projetos participativos e publicações próprias.

Para o projeto no Brasil, a artista optou por abordar sistemas políticos do capitalismo comparando o trabalho material das linhas de produção do passado, com o trabalho imaterial de hoje. Após uma ampla pesquisa em arquivos digitais, Elena Bajo visitou Fordlândia, a cidade fundada por Henry Ford na Amazônia na década de 1930, para a produção industrial de látex, utilizado nos pneus dos carros da Ford. A cidade foi toda pré-fabricada como uma típica cidade americana, atingindo o número de 5000 habitantes, que viviam de acordo com o estilo de vida americano. O projeto falhou por uma série de razões, mas principalmente devido à falta de conhecimento sobre o manejo da Seringueira, e a cidade foi abandonada. O que resta hoje são apenas ruínas e alguns moradores, que ocuparam as casas da vila americana, previamente construídas para a classe diretiva da Ford, e que contam as histórias de como as doenças se proliferavam entre árvores e trabalhadores.

Transferindo a lógica da produção fordista para o trabalho imaterial atual, produzido por usuários da Internet, a artista especula como as corporações desempenham o papel de Ford hoje. Naquela época, Ford criou um ambiente completamente artificial na Amazônia, impondo controle sobre o estilo de vida e hábitos de compra dos trabalhadores, até mesmo oferecendo-lhes facilidades na compra de produtos da Ford, que haviam sido na verdade fabricados por eles próprios. Da mesma forma, nos dias de hoje, as empresas, contratadas por grandes corporações, coletam e analisam dados retirados da Internet, não só para exercer o controle sobre os hábitos e preferências dos usuários, mas também para desenvolver produtos que serão finalmente consumidos por eles próprios. Sem perceber, ao usar navegadores e mídias sociais, o cognitariado (termo usado por Franco Berardi para definir o trabalhador sob o sistema do capitalismo cognitivo) está constantemente produzindo informações que geram produtos que nos são oferecidos no ambiente digital.

Fazendo uma alusão tanto ao ambiente artificial criado por Ford, quanto ao ambiente digital de hoje, Elena Bajo cria a exposição «Isle of Innocence», uma instalação com um caráter de vitrine, composta por sete obras: um ambiente para ser experimentado à distância pelo observador.

O primeiro trabalho, que conecta toda a instalação, é a pintura do chão. Produzida a partir do gotejamento de tinta látex branca, a obra se refere, não apenas ao gesto humano que imprime a individualidade, mas também ao sangramento de látex pela Seringueira. Além disso, através da criação de um ambiente branco, a artista traz a ideia de “salas limpas”, referindo-se a ambientes assépticos hospitalares – o hospital em Fordlândia foi o primeiro no Brasil a realizar um transplante de pele – como às salas limpas, onde micro componentes eletrônicos para computadores e telefones estão montadas e são fabricados, e também à produção de produtos de látex utilizados em ambientes livre de bactérias, tais como luvas cirúrgicas e preservativos.

No canto direito da instalação, encontra-se uma obra composta por moldes de cerâmica e borracha utilizados na fabricação de luvas cirúrgicas – um foi produzido em massa e outro manufaturado individualmente – que também sugerem as mãos dos trabalhadores, partes humanas tornando-se partes das máquinas e também produtos, suas vidas e suas individualidades. Mais perto do centro, na parte frontal, há uma série de restos de moldes artísticos feitos de látex trazidos da oficina de um artesão, onde o sistema de produção é individualizado, feito um a um, e oposto à produção em massa. Atrás desta obra, a artista fez uma montagem com materiais de plástico e látex artificial, apontando para a falta de consciência e atitude irresponsável do ato de substituir a produção de látex natural por aquele produzido artificialmente, que é altamente poluente.

Na parte de trás do espaço, encostada na parede, há uma série de sete molduras brancas de madeira usadas com vidro, mas vazias, sem nenhuma imagem. Elas são iluminadas e ligadas por uma tira de LED azul, assemelhando-se a telas de computador. Estas molduras podem referir-se, tanto ao desaparecimento do indivíduo na linha de produção de trabalho material de antigas fábricas, ou ao trabalho imaterial realizado hoje em dia pelos usuários da Internet. No lado esquerdo da instalação, há um trabalho composto por objetos amorfos feitos de isopor – um derivado artificial de látex também altamente poluente – que, dispostos em cima de azulejos brancos e sob uma haste de metal suspensa, sugerem alguns dos processos de produção em uma fábrica fordista.

E por último mas não menos importante, fora da instalação principal, um letreiro de LED exibe a frase “LOVE AND DO NOT MULTIPLY” (AME E NÃO MULTIPLIQUE), tirada do título de um livro escrito pela anarquista brasileira Maria Lacerda de Moura. Considerada uma das pioneiras do feminismo no Brasil no início do século XX, Maria Lacerda de Moura discutia o status das mulheres a partir da perspectiva da luta de classes e defendia grandes tabus da época, tais como o direito ao prazer sexual e a maternidade consciente. Esta obra, bem como o título da exposição, apontam para o quão absurdas eram as regras que Ford impunha a seus trabalhadores. “Isle of Innocence” era um lugar em uma ilha no rio Tapajós, a 8 milhas de Fordlândia, criado pelos trabalhadores da fábrica da Ford para escapar da proibição de Ford ao consumo de álcool e sexo. Era um local para a diversão noturna, onde eles podiam consumir bebidas alcoólicas na companhia de prostitutas vindas de Belém e Santarém. Da mesma forma, a artista reflete sobre a nossa realidade tecnológica de hoje, e se pergunta onde seria a nossa “Isle of Innocence“. Onde poderíamos tomar nossas próprias decisões de consumo, e não estar submetidos ao controle despercebido e vigilância que nos são impostos? Para Elena Bajo, desconectar é o caminho para não multiplicar.

 

Curadoria de Marina Coelho

 

Agradecimentos especiais ao artista e produtor Pedro Torres.

 

 

Apoio:

 

 

 

 

 

 

 

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Sobre a artista

Elena Bajo (*1976, Madri) vive e trabalha entre Berlim e Los Angeles. Entre as exposições em que apresentou seus trabalhos estão:

INDIVIDUAIS (Seleção)
Elena Bajo | Time is the Form of the Object, ANNEX14 (2015), Zurique; Elena Bajo | Timeless Considerations, STACION Prishtina (2014), Kosovo; Elena Bajo | The Absence of Work, D+T Project Gallery (2014), Bruxelas; Elena Bajo | An Arbitrary Issue, García Galeria (2014), Madri, Elena Bajo | The Factory of Forms, Manifesta Parallel (2012), Genk / JVE Academie, Maastricht.

COLETIVAS (Seleção)
Mythologies, 3rd Mardin Biennial (2015), Mardin, Turquia; Joshua Treenial, Joshua Tree, EUA; If I can’t dance to it, it’s not my Revolution, The Cantor Fitzgerald Gallery, Haverford College (2014), Philadelphia, EUA; Ma Prochaine vie, Pacific Design Center (2013), Los Angeles; Uncommon Places: Reinventing the Everyday, Extra City (2011), Antuérpia / ICI New York; Love Letters to a Surrogate Stage ll, MUHKA (2011), Antuérpia.

 

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Sobre LX92

O projeto LX92 consiste em uma série de projetos artísticos realizadas entre a Europa e a KUNSTHALLE São Paulo, com o apoio da Swiss International Air Lines. O título do projeto é uma referência ao número do vôo direto entre Zurich e São Paulo.

 

 

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LX92

 

Elena Bajo
«Isle of Innocence»



Opening:
Friday 25 September 2015, 7pm

Exhibition until 24 October 2015

 

Celebrating three years of activities, KUNSTHALLE São Paulo invites Spanish artist Elena Bajo (*1976 Madrid) to present her first solo exhibition in Brazil. Adopting a conceptual approach, the artist focuses on social issues and artistic processes and conditions. Her research-oriented practice unfolds in the use of a wide variety of media such as sculpture, installation, painting, performance, film, text and also participatory projects and own publications.

For the project in Brazil, the artist chose to address capitalism political systems by comparing material labor of production lines of the past and immaterial labor of today. After a wide research of digital archives, Elena Bajo visited Fordlândia, the city founded by Henry Ford in the Amazon in the 1930s, for the industrial productions of latex, used in Ford cars’ tires. The city was all prefabricated as a typical American town, reaching the number of 5000 inhabitants, who lived according to the American way of life. The project failed because of series of reasons but mainly due to lack of knowledge of Seringueira’s handling (the tree from which latex is extracted) and the city was abandoned. What remains today are just ruins and some residents, who have occupied the American villa’s houses, previously built for Ford’s directive class, and tell the stories of how diseases were proliferating among trees and workers.

Transferring the logic of Fordist production to current immaterial labor, produced by Internet users, the artist speculates how corporations play Ford’s role today. At that time, Ford manufactured a completely artificial environment in the Amazon, imposing control over workers’ lifestyle and shopping habits, by even offering them facilities in the purchase of Ford products, which were actually manufactured by them. In the same way, nowadays companies, hired by big corporations, collect and analyse data from the Internet, not only to exercise control on habits and preferences of users, but also to develop products that will be finally consumed by them. Without realizing it, while using browsers and social medias, the cognitariat (term used by Franco Berardi to define the worker under cognitive capitalism system) is constantly producing information that generates products that are offered to us in the digital environment.

Making an allusion to both, the artificial environment created by Ford, and the digital environment of today, Elena Bajo creates the exhibition «Isle of Innocence», an installation with a window case character, composed of seven works: an environment to be experienced from a distance by the observer.

The first work, which links the entire installation, is the floor painting. Produced by the dripping of white latex paint, the work refers not only to the human gesture that imprints the individuality, but also to the latex bleeding from the Seringueira tree. Furthermore, by creating a white environment, the artist brings in the idea of “clean rooms”, referring to aseptic environments – the hospital in Fordlândia was the first one in Brazil where a skin transplant was conducted – such as the clean rooms where micro electronic components for computers and phones are assembled and manufactured and also to the production of latex products used in bacteria absent environments, such as surgical gloves and condoms.

In the right corner of the installation, lies a work made up of ceramic and rubber molds used in the manufacture of surgical gloves – one has been mass produced and the other individually crafted – that also suggests the hands of the workers, human parts becoming machine parts and also products, their lives, and individualities. Closer to the center, in the front, there are a number of left-overs from artistic molds made in latex brought from the workshop of a craftsman, where the production system is individualized, made one by one, and opposite to mass production. Behind this artwork, the artist made an assemblage with plastic materials and artificial latex, pointing to the lack of awareness and irresponsible attitude when replacing the production of natural latex by the artificially produced one, which is highly pollutant.

In the back of the space, leaning on the wall, there is a series of seven used wooden white frames with glass, left empty, without any images. They are lit and connected by a blue LED strip, resembling computer screens. These frames can both refer to the disappearance of the individual in the material labor production line of former factories, or to the immaterial labor performed nowadays by Internet users. On the left side of the installation, there is a work composed of amorphous objects made of Styrofoam, an artificial derivative of latex also highly pollutant, which, arranged on top of white tiles and under a suspended metal rod, suggest some of the manufacturing processes in a Fordist factory.

And last but not least, right outside the main installation, a rolling text LED screen displays the sentence “LOVE AND DO NOT MULTIPLY,” taken from the title of a book by the Brazilian anarchist Maria Lacerda de Moura. Considered one of the pioneers of feminism in Brazil in the early twentieth century, Maria Lacerda de Moura discussed women status from the perspective of class struggle and defended big taboos of the time, such as the right to sexual pleasure and conscious motherhood. This work, as well as the title of the exhibition, point to the absurdity of the rules that Ford imposed to their workers. “Isle of Innocence” was a place in an island in the Tapajós river, 8 miles from Fordlândia, created by the Ford factory workers to escape Ford prohibition on alcohol consumption and sex, for their nightlife amusement, where they could consume alcoholic beverages in the company of prostitutes coming from Belém and Santarém. Similarly, the artist reflects on our technological reality of today, and questions where is our “Isle of Innocence”.  Where could we make our own consumption decisions, and not be subjected to the unnoticed control and surveillance imposed on us? For Elena Bajo, to disconnect is the way to not multiply.


Curated by Marina Coelho

 

Special thanks to artist and producer Pedro Torres.

 

Supported by:

 

 

 

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About the artist

Elena Bajo (*1976, Madrid) lives and works between Berlin and Los Angeles. Among the exhibitions in which she presented her works are:

SOLO SHOWS (Selection)
Elena Bajo | Time is the Form of the Object, ANNEX14 (2015), Zurich; Elena Bajo | Timeless Considerations, STACION Prishtina (2014), Kosovo; Elena Bajo | The Absence of Work, D+T Project Gallery (2014), Brussels; Elena Bajo | An Abitrary Issue, García Galeria (2014), Madrid; Elena Bajo | The Factory of Forms, Manifesta Parallel (2012), Genk / JVE Academie, Maastricht.

GROUP SHOWS (Selection)
Mythologies, 3rd Mardin Biennial (2015), Mardin, Turkey; Joshua Treenial, Joshua Tree, USA; If I can’t dance to it, it’s not my Revolution, The Cantor Fitzgerald Gallery, Haverford College (2014), Philadelphia, USA; Ma Prochaine vie, Pacific Design Center (2013), Los Angeles; Uncommon Places: Reinventing the Everyday, Extra City (2011), Antwerp / ICI New York; Love Letters to a Surrogate Stage ll, MUHKA (2011), Antwerp.

 

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About LX92

The project LX92 consists of a series of artistic projects realized between Europe and KUNSTHALLE São Paulo, with the support of Swiss International Air Lines. The project title is a reference to the direct flight that connects Zurich to São Paulo.